A TESTEMUNHA (PEÇA)

18 12 2009

Peça em 1 ato

“… Porque não havia lugar para eles na estalagem.”

PERSONAGENS

JULIANA, a mãe
AUGUSTO, o pai
JASMIM, filha
KAMAL, filho

José, Maria e 3 pastores, apenas comporão um quadro, e não terão diálogo.

CENÁRIO – Uma casa pobre e rústica.
ACESSÓRIOS – Moedas e um jarro rústico.
INDUMENTÁRIAS – Túnicas compridas e mantos bem arranjados nos ombros dos homens e das mulheres. Ter o cuidado, repetimos, de não usar tecidos brilhantes, mas surrados. Variar os tons das cores. Todos usarão sandálias rústicas ou estarão descalços.
ILUMINAÇÃO – Além do sugerido, o grupo criará a seu modo, com bom gosto. MUSICA – lnc!uii~ outras, se necessário.

Ao começar a peça estão em cena Augusto e Juliana.

AUGUSTO, mal humorado – Apressa-te, mulher! Leva logo a bebida que os homens estão esperando.

JULIANA, medrosa – Não me demoro. Estou esperando que o carneiro esteja cozido.

AUGUSTO, autoritário – Nada de esperas! Vamos de uma vez! na adega está o vinho para levar-lhes. Não passas de uma preguiçosa.

JULIANA – Está bem, está bem… Mas sabes que não gosto de servir bebidas àqueles homens. Parecem salteadores…

AUGUSTO – Mas precisamos de dinheiro e eles, mesmo que sejam salteadores, nos darão dinheiro e
isso é o que importa. Além do mais, tu mesma deves servi-los, pois Kamal, nosso filho, está nos campos
cuidando das ovelhas. (Juliana sai e augusto fica contando suas moedas.)

AUGUSTO – Mulher estúpida! Como pensa ela que poderemos viver se nos faltar o dinheiro? (Divaga) É mesmo preciso ter muitas moedas, milhares de valiosas moedas! Ainda serei o homem mais rico das
redondezas. Em toda Belém hão de ouvir o meu nome! Ainda deixarei esta hospedaria, que não passa de uma espelunca, por um negócio mais próspero e lucrativo.
Chega Jasmim com um jarro rústico.

JASMIM – Sua bênção, meu pai.

AUGUSTO, aborrecido – Por onde andou, menina?

JASMIM – Fui até o poço, buscar água.

AUGUSTO – Espero que sejas mesmo verdade o que dizes. Não gostaria de precisar espancar-te novamente.

JASMIM, amedrontada – Mas por quê?

AUGUSTO, ameaçador – Ainda perguntas por que? Pois bem, eu direi o motivo: um dos homens que traz a lenha para a estalagem disse ter visto tu e Kamal em companhia de parentes de Israel. essa mulher que alega ser “temente a Deus”. Já disse muitas vezes para não se juntarem a esse que esperam as coisas cairem do céu. Céu é ter dinheiro, e para isso é preciso trabalhar, ouviu bem?

JASMIM – Não fale assim, meu pai. Devemos respeitar a Deus, que é o Senhor do Universo.

AUGUSTO – Cale a boca, pequena. Mulheres foram feitas para permanecerem caladas, bem quietinhas. ouviu?
(Levanta a mão para Jasmim, mas a entrada de Juliana o interrompe.)

JULIANA – O que é isto, Augusto? Por favor, não bata na menina outra vez! (Muda a conversa, para aliviar a tensão.) Olha, está ai um casal procurando hospedagem.

AUGUSTO – Quanto poderão pagar?

JULIANA, gaguejando – Na… na… não sei. Penso que são muito pobres, e…

AUGUSTO, cortando com veemência – Pois que vão buscar outro lugar. Não quero saber de pobres que não têm como pagar.

JULIANA – Mas meu marido, a mulher está quase a dar à luz a uma criança!

AUGUSTO – Pois que morram! Você ainda quer arranjar-me problemas, mulher? Onde já se viu termos aqui uma criança a choramingar?

JASMIM, corajosa – Mas temos uma vaga nos aposentos ao lado, pai.

AUGUSTO – Cala a boca! Vá, mulher, e diga que não temos lugar.

JULIANA – Mas para onde irão se após o decreto de César Augusto para que venham todos alistar-se, a cidade está superlotada?

JASMIM – Não encontrariam hospedagem em nenhum outro lugar. Ramal, meu irmão, disse que muitos dormem pelas estradas.

AUGUSTO – Sabem de uma coisa? Eu estou farto de vocês com as suas constantes lamúrias, não quero
que esses pobretões fiquem e é só! Vamos, Juliana diga-lhes que se retirem imediatamente! (Grita.)
Vamos, eu já disse! (Juliana sai apressadamente e em seguida Jasmim, após o olhar de ódio do pai.)

Quadro estático com Augusto olhando para as suas moedas.

Após uma pausa em que poderá entrar uma música especial, apagam-se todas as luzes. Kamal entra correndo pela porta principal, ainda no escuro.

KAMAL, gritando – Pai, Jasmim, minha mãe! Onde estão todos?

Sob luz fraca aparecem os familiares.

AUGUSTO – Mas que gritaria louca é esta, Kamal? Não pode falar mais baixo?

KAMAL, ofegante – Acendam todas as luzes! (As luzes ficam mais fortes.) Tenho uma noticia maravilhosa!

JULIANA, tocando o braço do filho – Kamal, meu filho, não consegui dormir toda a noite preocupada contigo. Por que demoraste tanto?

KAMAL, sacudindo com energia, mas carinhosamente os ombros da mãe, a abraça e, em seguida, aperta-a de encontro ao peito – Minha mãe, oh! Querida mãe! Não imagina o que tenho a dizer-lhe!

JASMIM, sorrindo – Pois fala logo, meu irmão! Não nos deixes tanto tempo na expectativa! AUGUSTO, mal-humorado – Imagino que se deve tratar de mais uma de suas bobagens.

KAMAL, andando de um lado para outro, possuído de grande euforia – Meu Deus, eu nem mesmo sei como começar! E verdade: as palavras são tão pequenas para traduzir o fato inesperado e esplêndido que se passou comigo! Meu Deus, tamanha felicidade! (Olha para Jasmim que está ansiosa.) Sim, minha querida, vou narrar o que houve. ( Respira para adquirir fôlego.) Durante a noite, eu apascentava as ovelhas como de costume, com Zacarias e Elifaz, quando… (Emudece, tal a emoção de que se vê possuído.)

JULIANA, tocando seu rosto – Vamos, filho, conte-nos!

KAMAL – Apareceu-nos um anjo do Senhor!

JULIANA E JASMIM – Um anjo?

KAMAL – Sim! E a glória do Senhor cercou-nos de resplendor. De inicio ficamos temerosos, mas ele nos disse que trazia novas de grande alegria para todo o povo.
AUGUSTO, irritado – Cale-se, Kamal! Você está louco.

KAMAL, dirigindo-se com autoridade para o pai – Não, meu pai, eu não estou louco e nem posso calar-me. (Augusto intimida-se.) Pois bem, o anjo contou-nos que na cidade de Davi acabara de nascer o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

JASMIM – Eu sabia! O Senhor havia colocado isto em meu coração.

Vagarosamente, começam a aparecer em plano ligeiramente mais elevado (se possível, poderá ser no lugar onde costuma ficar o coral da igreja, uma vez que ofereça bastante visão para o público) José, Maria e os três pastores, um dos quais não se deixará ver o rosto, que encobrirá o manto, por tratar-se do próprio Kamal. Maria se colocará de joelhos acalentando um bebê na manjedoura (imaginável). José ao lado e, mais adiante, juntos, os pastores.

KAMAL – O anjo ainda nos disse que como sinal acharíamos o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura. Depois, creiam, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais louvando a Deus e dizendo:

OS COM PON ENTES DO QUADRO – “Glória a Deus nas maiores alturas, paz na terra e boa vontade para com os homens!” (Devem dizê-lo alto e alegremente.)

KAN1AL – Então fomos até Belém e tivemos a grande graça de ver o que o anjo nos anunciara.

JULIANA – Mas que grande bênção, meu filho! Sabe, enquanto você fala tenho a impressão de ver tudo o que aconteceu. E tenho em meu coração que o Messias é nascido daquela mulher que esteve com o marido a procurar hospedagem em nossa porta.

JASMIM – Também penso o mesmo, minha mãe. (Abraça o irmão.) Oh! Kamal, como estou feliz! (Olha o pai que parece angustiado.) Meu pai, o que se passa em seu coração?

AUGUSTO – Estou imensamente amargurado. Eu não sou digno de ter ouvido tudo isso.

KAMAL – Como não é digno, meu pai? Todos somos merecedores da salvação através da vinda do Filho de Deus?

AUGUSTO – Todos não, eu nada mereço. Sempre fui um patife da pior espécie!

JULIANA, aproxima-se do marido – Pois é o momento agora de arrepender-se, Augusto. Belém abriga hoje o Filho de Deus, que veio salvar-nos de nossos pecados.

AUGUSTO, sinceramente arrependido – Como pude ser tão hipócrita, meu Deus! Negando hospedagem a um pobre casal deixei de ter aqui nesta casa o teu Filho, Jesus?!… (Ajoelha-se chorando.) “Perdoa-me, Pai Eterno, perdoa-me!”

KAMAL, tomando as mãos do pai e ajudando-o a levantar-se – Levanta-se, meu pai. Tenho certeza de que as portas do céu foram abertas agora para o Senhor. (Ficam todos abraçados enquanto Augusta fala.)

AUGUSTO – A partir de hoje, a nossa hospedaria estará aberta a todos. O meu coração, como a hospedaria, estará aberto para toda a humanidade. Todos os pobres, os angustiados, os fracos, todos os filhos de Deus espalhados por toda a terra!

VOZ OCULTA – “E não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela, alguns, sem saber, hospedaram anjos!”

No final os componentes da peça cantam um corinho de Natal.

Sígrid Gleise – Central de Diretores JA 05/12/2002


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2 responses

19 12 2009
A TESTEMUNHA (PEÇA) | Perto Está - Portal Adventista

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25 10 2011

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